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Histórico

Publicado em 14/08/2014 às 23:34 - Atualizado em 04/08/2018 às 22:12

Guarujá do Sul anos 80
Créditos: Museu Municipal Baixar Imagem

 

O atual município de Guarujá do Sul, desmembrou-se de terras pertencentes a Dionísio Cerqueira. As famílias que aqui chegaram, migraram do Rio Grande do sul, inicialmente vinham de carroça, mais tarde de caminhão, trazendo em suas mudanças; seus pertences, animais, maquinários rudimentares, enxadas, foices, as galinhas, os cachorros que ajudavam na caça de animais silvestres na mata virgem,  adquiriram aqui  terras férteis.

As viagens eram difíceis, devido as péssimas estradas e picadas abertas na mata, mesmo assim foram guerreiros, verdadeiros heróis na colonização deste município e região. Para chegar na área de terra adquirida muitas vezes o comprador embrenhava-se na mata abrindo picadas, até chegar na terra destinada a ele, para depois iniciar a construção de seu rancho para morar. Após fazer o desmatamento do terreno, iniciava-se o plantio de cereais, necessário para o sustento da família. Como aqui os mantimentos alimentícios eram precários, se deslocavam a Dionísio Cerqueira e Argentina para adquiri-los.

As árvores derrubadas eram destinadas a serragem de tábuas, muitas vezes a mão, para construir a casa, o paiol, o galpão, o chiqueiro e o galinheiro.

Plantavam milho e quando este estava seco, soltavam os porcos para serem engordados, mas era nesta época que os javalis atacavam essas roças, sendo capturados pelos caçadores, pois a sua carne servia para alimentação familiar. O gado não era abatido, era reservado para a reprodução, por isso os colonizadores caçavam animais, evitando assim abater o seu gado.

O fator determinante da colonização e povoamento de Guarujá do Sul, na época Vila Nova, bem como todo o extremo oeste  de Santa Catarina  foi a questão econômica, ou seja a exploração  de madeira, principalmente a Araucária (pinheiros)e o desenvolvimento das atividades relacionadas  a colonização e povoamento  das terras gaúchas, levando inúmeras famílias de colonos a migrar para as terras catarinenses, em busca de solo fértil, propicio para o plantio, mantendo a sobrevivência de suas famílias.

Antes porém da chegada dos primeiros colonizadores havia em nosso município vestígios de existência de clareiras feito por caboclos, cuja sua origem não se sabe ao certo; Uns se embrenharam na mata vindos talvez pela picada Prestes, ou oriundos do Paraná. São diversos os locais que marcou a existência de famílias caboclas, sendo que na beira do Rio das Flores, confluência com a sanga Moura (Taguaraçú) pode-se destacar as famílias de Gonçalino Mieres, Angelino e Raul Moura, Conceição de Lara (curandeira e parteira) Servalino de Lara e a família Candéia que ali moraram, vivendo da caça, pesca, frutas nativas; com a criação de porcos e gado. Onde hoje é a sede do município atual existia um descampado, ou seja local onde já haviam desmatado e os caboclos criavam porcos, sendo em1925 saqueados pela coluna Prestes: algumas pessoas dizem que esses caboclos eram fugitivos da Guerra do Contestado, viajantes paravam e pousavam, neste local morava Afonso Cardoso, ao qual se juntou a Armindo Rohenkoll. Na Linha Maidana moravam os Pimentel; na Linha Arara já havia desmatamento, isso demostra que pessoas já estavam por lá e na Linha Possato era ocupado por Emitório Galvão De Lima. Quando chegaram os imigrantes e as terras já estavam demarcadas foram se retirando, sem resistência alguma, outros se adaptaram a comunidade. Quando os novos proprietários ao fazerem suas lavouras encontraram objetos de cerâmicas, carvão, pedras talhadas, vestígios de outros povos que por aqui passaram.

O município guarda lembranças dos pioneiros que acreditaram em seu potencial, preservando os traços da cidade desde seu início.

Até 31 de dezembro de 1953 Guarujá do sul pertencia ao distrito de Dionísio Cerqueira, município de Chapecó. Pela lei nº 133, da Assembleia Legislativa Estadual, que homologou a resolução nº10 de 29.10.1953, Dionísio Cerqueira passou a ser município, juntamente com Mondai, São Miguel do Oeste, São Carlos e Palmitos.

O território de Dionísio Cerqueira era porém imenso cheio de problemas e difícil de governar, sendo que o primeiro prefeito Hélio Wassum da UDN  e os vereadores da primeira legislatura (1954 – 1958) Argemiro Augusto  Pereira, Dionísio de Freitas, Epaminondas Ribeiro da Costa, Hercy Brambilla de Oliveira, Jacob Maran, Júlio Pereira de Sá e Normélio José Arnoldo e outras lideranças, resolveram dividir o município em seis distritos primeiro a sede municipal, o segundo Guarujá do Sul, terceiro Pessegueiro, o quarto Cedro, quinto Princesa e o sexto Palma Sola; Com a lei nº 210 que foi homologada na Assembleia legislativa dia 22 de julho de 1957,onde os distritos foram instalados pelo juiz de Direito de Mondai Exmo Sr. Dr Jovelino Lavi, aos 30 dias do mês de agosto de 1958.

Criado os distritos de Guarujá e Pessegueiro foi necessário prover diversos cargos, para assim fazer a comunidade se desenvolver. Para Guarujá nomeou o Sr José Seibt, para Intendente Exator e Pessegueiro Sr Nélio Willers, sendo substituído por Laudelino Ely. Em 08 de setembro de 1958 o governador do estado  Heriberto Hulse vice de Jorge Lacerda ,que havia falecido em acidente aéreo, nomeou para Guarujá o Sr Nestor Emanuel Grimm e Normélio José Arnoldo para Pessegueiro, Tabeliões e Escrivães de Paz, empossados em 06 de outubro de 1958 e Inspetor da polícia Jacob Claudino Scherer.

Vários motivos levaram a população a se movimentar para emancipação municipal, pois o Distrito de Guarujá  e Pessegueiro se sentiam  abandonados e alienados  da administração  cerqueirense, ocupada pelo prefeito Sr Hercy  Brambilla de Oliveira, tendo como vereadores da segunda  legislatura, Normélio  José Arnoldo, Nestor Emanuel Grimm, Adelino João Crestani, Dalilo Quintino Pereira, Heitor Luiz Angel, Luiz Carlos Barreto, Mario Claudio Turra, sendo eleitos em 15.11.1959.No momento  os separatistas tinham o maior número na câmara de vereadores, isto encorajou-os, sendo encabeçado pelos vereadores Normélio J. Arnoldo  representante de Pessegueiro e Adelino João Crestani de Palma Sola. Pela resolução nº10 de 12 de novembro de 1960, criando os município de Guarujá e Palma Sola, homologada pela Assembleia  Legislativa do Estado, conforme Lei nº 787 de 18 de dezembro de 1961,sendo que Pessegueiro passou a ser Distrito do novo município criado Guarujá do Sul .

No ato da instalação do município 30 de dezembro de 1961 por decreto do governador do estado Celso Ramos, assumiu como prefeito provisório o tenente     João Bras Petters, presidida pelo Sr juiz de Direito de São Miguel do Oeste Dr Rafael Ribeiro Pinto,assistida pelo representante do governador do Estado Sr Dalilo Quintino Pereira, Hercy Brambilla de Oliveira, prefeito municipal de Dionisio Cerqueira, José Seibt  intendente exator municipal, sargento Francisco Celso da Silva, delegado da policia, Nestor Emanuel Grimm, Escrivão de Paz, o deputado José Gassim, Padre Balduino Schneider, o Sr Geovino B Ludvig prefeito de São José do Cedro, outras autoridades e um grande público. Após declarado município, muitos oradores congraduaram esse acontecimento histórico, que ocorreu no armazém Volkveis, sendo transmitida ao público pelo rádio  Tupinambá de Dionisio Cerqueira, era clandestina e foi caçada por se intrometer na política do país Argentino.

Após esse ato o prefeito provisório o Tenente João Brás Petters retorno a Florianópolis, deixando o cargo vago no  municipio vago, foi embora e não voltou mais.. Assumindo  Albino Caramori prefeito interino  em julho 1962 até a posse do primeiro prefeito eleito em 31.01.1963.O município de Guarujá do Sul foi criado com uma área de 100,5 km2.

Autor: Professora Historiadora Claudete Trevisol de Mattos


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